Estou de volta depois de um período de viagens e muito trabalho…

Enfim, a coisa é realmente séria e não se sabe onde é o fundo do poço! Eu nunca vi tanto analista gaguejando em entrevistas! O fato é que certamente a crise é do nível de 29, ou pior.

A crise em sí é uma crise de solvência americana, que só isso é seríssimo, não fosse a garantia dos governos de pagar a conta. Basta uma única grande instituição quebrar para iniciar um efeito cascata em todo o mercado.

Porém além disso a crise desencadeou o estouro da bolha de commodities, um desarranjo das moedas e, por fim, a atenção voltada para a economia real, que esta sim é um grande problema.

EUA e Europa estão em recessão, economia declinante. Isso já atingiu todas as classes e fez os americanos realmente repensarem seu papel no mundo. Hoje vemos nos EUA até mendigos esmolando nas ruas, como não havia antes.

Os aposentados, ou os que ainda vão se aposentar (ou seja, todos!) estão preocupados com seus fundos de garantia, já que os fundos investem em ações, as mesmas que caíram mais de 30%. Os trabalhadores já esperam trabalhar mais 10 anos para recuperar o que foi perdido na previdência e os já aposentados ficarão em uma posição bem difícil, ou terão de voltar ao mercado, o mesmo mercado que já está aumentando o desemprego e precisará absorver mais trabalhadores.

A solução mais óbvia para aquecer a economia é diminuir juros e liberar credito (as mesmas coisas que causaram a crise de solvência), o que aumentaria a inflação. Então é um mato sem cachorro, se aumentar juros vai piorar a recessão, se baixar vai piorar a inflação!

Países como a Islândia mal tem dinheiro para pagar a dívida dos bancos, que é mais de 10X o PIB do país, e piora a cada dia com a questão da fuga de capitais valorizando moeda estrangeira.

No relatório do FMI consideraram que “estamos vendo o fim de um modelo econômico global insustentável”, se referindo especialmente aos modelos de alavancagem.

Tudo isto trouxe ao mercado uma enxugada na liquidez, quando os investidores montam posições em títulos do tesouro e ouro, ou simplesmente desmontando posições de risco para tapar buracos ou enfiar o dinheiro no colchão, derrubando moedas e bolsas ao redor do mundo.

Para quem diz que o efeito não chegou no Brasil ainda, mentira… sem contar o efeito óbvio no câmbio, desde o meio deste ano o varejo já estava sentindo queda notável. Amigos meus diretores e compradores das grandes redes de varejo dizem que já estão reformulando as estratégias já considerando desaquecimento.

A reformulação das estratégias das empresas, frente ao novo cenário mundial começa a impactar fortemente a análise de fundamentos e balanços das empresas em bolsa, o que volta a impactar os índices e papéis, especialmente as empresas com operações de câmbio.

Resta saber o quanto disso tudo já está precificado pelo desespero do mercado e, portanto, a única certeza é a volatilidade!

mas… era só uma palavra sobre a crise!

James Franciscus
diretor executivo
Modulus Brazil